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Numa época em a crise se instalou e que muitos portugueses evitam gastar dinheiro em restaurantes, o sistema Bring Your Own Bottle parece uma boa solução para não deixar escapar a clientela.
Como é seu hábito, no dia em que combinou jantar com as amigas, Maria chegou atrasada. Mas desta vez, e apesar de ter sido ela a marcar o restaurante, o atraso teve uma boa explicação. Ainda ofegante da correria, sentou-se e retirou de um saco duas garrafas de vinho: «Meninas, fui comprar agora mesmo estes vinhos porque estamos num restaurante BYOB, que significa Bring Your Own Bottle». Em português, a tradução literal desta expressão é: “traz a tua própria garrafa”, uma ideia bastante recorrente em Inglaterra, nos Estados Unidos da América e que em Portugal começou a dar os primeiros passos em 2004. Ou seja, o cliente pode trazer um ou mais vinhos de casa, pagando apenas a ‘taxa de saca-rolhas’. Mas esta taxa não é fixa (pode ir dos 3 aos 15 euros, dependendo do restaurante) e há mesmo restaurantes que não a cobram.
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A taxa de saca-rolhas é de 6 euros no Eleven
Foto: es.event1001.com |
Apesar de já haver vários restaurantes a aderir a este sistema, ainda continua a ser pouco usual os clientes aparecerem de garrafa a tiracolo. Por vergonha, comodismo ou mesmo por falta de informação, a verdade é que o conceito existe mas ainda não está enraizado nossa cultura nem nos nossos hábitos. No Eleven, por exemplo, há clientes que aparecem com garrafas apenas uma vez ou duas por ano, contou ao portal mariajoaodealmeida.clix.pt, o chefe de sala, Pedro Marques. «Não há muita gente a aderir ao conceito, talvez devido ao género de clientes que vêm até cá. A maioria são estrangeiros». Quanto à “taxa de saca-rolhas” o Eleven leva 6 euros.
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O restaurante Quarenta e Quatro tem o conceito Byob a funcionar há três anos
Foto: projecto28.blogspot.com |
O mesmo discurso teve Paulo Silva, gerente do restaurante Quarenta e Quatro, em Matosinhos. «Embora o Quarenta e Quatro tenha este conceito a funcionar há três anos, a verdade é que o serviço não tem grande expressão», adiantou o responsável. A taxa aqui praticada é de 5 euros. Ainda no Porto, o restaurante Shis vai mais longe e apresenta o conceito BYOB descrito na carta de vinhos, tendo como parceiros vários produtores de vinho, e o serviço taxado a 6 euros: «Os produtores vêm até ao Shis com os seus clientes e é aqui que lhes dão a provar os seus vinhos», informou ao nosso portal João Geraldes, chefe de sala daquele restaurante portuense que implementou este conceito há mais de um ano. Situação idêntica relatou o dono do restaurante “Luar de Janeiro” em Évora, cuja taxa aplicada é de 7,5 euros. De acordo com Paulo Prates, «só produtores ou distribuidores têm como prática trazer garrafas. O cliente comum nunca trouxe.»
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São os produtores que aderem mais ao conceito no Shis
Foto: sairmais.com | |
Conceito de sucesso
Se de norte a sul do país a maioria dos restaurantes não parece praticar este conceito com regularidade, existem outros que, em contraposição praticam e têm grande sucesso com este conceito. É o caso da “York House”, que tem muitos dos seus clientes a aderir ao BYOB. Segundo o seu director, José Mello Breyner, aparecem todos os meses entre 10 a 12 pessoas com garrafas para acompanhar o jantar. Uma participação que, segundo o mesmo, se deve ao facto do seu restaurante ter disponível este serviço há muito tempo: «Julgo que fomos dos primeiros a aderir ao BYOB, há cerca de 7 anos e também porque publicitámos muito na altura», frisou. Além disso, afirmou ainda: «o vinho é para nós um complemento para as nossas refeições, não queremos impedir ninguém de disfrutar de um bom jantar acompanhado por um bom vinho».
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No “York House” este conceito é um sucesso
Foto: ezimut.com |
A ideia do BYOB resume-se em poder provar bons vinhos, muitas vezes exclusivos, em conjugação com uma excelente refeição. No entanto, pedem-se alguns cuidados por parte do cliente: que o vinho não exista no restaurante e seja paga uma taxa (razoável) pela despesa e pelo incómodo causados.
Do ponto de vista dos restaurantes, o BYOB é acima de tudo encarado como forma de fidelizar clientes e como um complemento dos pratos sugeridos na ementa. Assim, todos saem a ganhar.
Ficam alguns exemplos de restaurantes que aderiram e das respectivas “taxas de saca-rolhas”:
Porto e arredores: Shis (Porto) - €6 , Cafeína (Porto) - €5, Ferrugem (Famalicão) - €5 , Restaurante Pedro Lemos - €7,5 Garrafa, Quarenta e 4 (Matosinhos) - €5
Centro: Arcadas (Coimbra) - €9
Lisboa e arredores:Associação Naval de Lisboa - 2€ , Clube dos Jornalistas - €5 - Eleven - €6 , York House - €3.5 , Tavares - €15, Salsa e Coentros - €0, Na Ordem com Luís Suspiro €0.
Sul: Eira do Mel - €0 (V.N. Bispo), A Escola (Alcácer do Sal) - €0 , Luar de Janeiro (Évora) - €7.50.
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