Home Notícias Artigos Crónicas Castas Clube Loja Cursos Links
  Inscreva-se aqui!
 
  Login
 
  Loja
 
Compras 0 items
 
  Guia
   
Introdução
Garrafeiras
Lojas Gourmet
Glossário Gourmet
Lições do Vinho
 
  Receitas & Vinhos
   
Sugestões
 
  Leituras
   
Livros
 
  Subscrever Newsletter
 
 
 
 
  Artigos
Há Caracóis
28 de Maio de 2010, por Catarina Cabral
 
Sabe-se que o Verão está a chegar quando, nas montras de vários restaurantes, de norte a sul de Portugal, surge a mítica frase «Há Caracóis!». De Maio a Agosto, as esplanadas portuguesas enchem-se ao final da tarde, pedem-se cervejas geladas que acompanham os já habituais pratos de caracóis. No entanto, há quem tenha o desejo de transformar o caracol numa iguaria para ser degustada de Janeiro a Janeiro. É o caso de Belmiro Domingos que há 20 anos se dedica ao estudo do caracol e que há seis anos organiza uma feira itinerante totalmente dedicada a este petisco. «Em 2004, arranquei com o projecto na Costa da Caparica, numas instalações desportivas. Foi muito atribulado e estive quase para desistir porque fui assaltado e levaram-me tudo, bebidas, caracóis e até uma viatura», conta. Acabou por se manter firme nas suas convicções e, no ano seguinte, através de uma parceria com um café, o evento começou a dar os primeiros passos. Finalmente, em 2006, iniciaram as feiras itinerantes. A primeira foi em Aveiro, uma cidade onde o hábito de comer caracol não está especialmente enraizado, por ser mais característico do sul do país. «Fiz o primeiro evento, que durou três dias, no Estádio do Beira Mar e foi um sucesso, surpreendeu-me a todos os níveis. Não pensei que houvesse tanta gente a gostar de caracol no norte», recorda Belmiro, acrescentando que aconteceu o mesmo em relação ao Porto, onde as tripas e as francesinhas são rainhas. Ao longo dos anos, este entusiasta do caracol tem aprendido e inventado novos pratos à base do molusco. Em 2006 eram 10 receitas, mas hoje já são 15 e constituem a principal atracção das Feiras do Caracol, quanto mais não seja pelos nomes extravagantes: Fondue de Caracol, Caracol à Pescador, Caracol com Caril, Omolete de Caracol, Caracol à Caçador, Caracol à Fernão de Magalhães, entre outros. Este ano, o circuito gastronómico começou em Aveiro, tendo seguido para Almeirim para depois partir rumo a Lisboa, Évora, Fundão, Coimbra, Cernache de Bonjardim (Sertã), Figueiró dos Vinhos, Covilhã, Viseu e, por fim, já em Setembro, no Porto, onde Belmiro fará o encerramento da “Época 2010” da sua “Volta a Portugal em Caracol”.

Belmiro Domingos confeccionando Caracóis à Pescador no Restaurante Sepúlveda, em Almeirim
(FOTO: MJA Conteúdos)

De onde vêm os caracóis?


Os caracóis são moluscos pertencentes à classe dos gastrópodes, com uma esperança de vida entre os quatro e cinco anos, um tempo que ocupam sobretudo com a estivação (Primavera/Verão) e a hibernação (Inverno). Em ambos os casos, adoptam um estado letárgico, reduzindo as suas funções biológicas ao mínimo. Durante o tempo que lhe resta, o caracol alimenta-se e reproduz-se, podendo gerar cerca de duzentos ovos por ano. Apesar de ter um paladar, olfacto e tacto bastante desenvolvidos e sensíveis, não possui cordas vocais nem aparelho auditivo. Tem olhos, mas a sua visão é também praticamente inexistente, regulando-se, tal como as plantas, através do fotoperíodo. Por fim, é capaz de atingir uma ´vertiginosa´ velocidade de 0,048 quilómetros por hora, o que lhe permite deslocar-se, nesse período de tempo, uma média de quatro a 10 metros!

O famoso Escargot

O caracol terrestre desenvolve-se bem com temperaturas amenas, entre os 18ºC e os 22ºC e uma humidade atmosférica elevada, entre os 70% e os 80%. Com temperaturas superiores e humidade mais reduzida entram em estivação, até que os valores ideais sejam repostos. No entanto, são capazes de suportar temperaturas elevadas desde que acompanhadas por um aumento de humidade. Abaixo dos 10ºC o caracol hiberna e, abaixo dos 0ºC, congela e morre. Quem deve ter atenção a todos estes cuidados especiais são os helicicultores, profissionais dedicados à criação de caracóis. Das mais de quatro mil espécies, apenas vinte são comestíveis e só uma dessas permite uma exploração rentável em Portugal: a Helix Aspersa Maxima (ou Gros Gris), mais conhecida por caracoleta. No entanto, nas esplanadas, a acompanhar as cervejas, a espécie mais popular é a proveniente de Marrocos. Trata-se de um tipo de caracol mais pequeno que as espécies autóctones, muito mais barato e que chega às toneladas, pelo que não faz sentido ser produzido no nosso país. «Por cada quilo de caracoleta que é consumido, consomem-se 10 quilos de caracol pequenino», revela João Lopes, responsável pela Biojogral, empresa dedicada à helicicultura. O negócio nasceu há 7 anos em Canha e produz hoje em dia 100 toneladas de caracoleta por ano. De acordo com o site da Biojogral, a definição consensual de helicicultura é «a criação sistematizada em cativeiro, com fins comerciais, de caracóis terrestres comestíveis». Para João Lopes, esta é uma actividade rentável a médio prazo, «sobretudo se for feita por quem saiba e tenha formação na área». Caso contrário, os custos e riscos serão muito maiores. «Fazendo as coisas bem feitas, o risco de negócio é nulo», esclarece, acrescentando ainda que «a longo prazo, a helicicultura acabará por ser um mercado excedentário». Por seu lado, Luís Lucas, proprietário da HelixOeste, acredita que este «já foi um negócio mais interessante quando ainda havia poucos helicicultores» sendo que, nos últimos anos, tem surgido muita gente a enveredar pela criação de caracóis «por ser levada a acreditar que é bastante rentável». A HelixOeste existe desde 2003, mas só em 2007 montou as suas estufas na praia da Peralta, na Lourinhã. Até 2009, produziu cerca de oito toneladas de caracoleta a cada ciclo de seis meses. No entanto, a intempérie do dia 23 de Dezembro de 2009 que atingiu a zona Oeste de Portugal fez com que a exploração da Helixoeste desaparecesse por completo. Hoje em dia, a empresa dedica-se sobretudo à consultoria, tendo já cerca de oito empresas associadas. Se as estufas forem novamente montadas, «não voltará a ser nesta região», garante Luís Lucas.

Os caracóis são muito sensíveis no que toca ao ambiente que os rodeia

A confraria que faltava


Mais do que um entusiasta do caracol, Belmiro Domingos também se interessa pelo tema da helicicultura. De 10 a 25 de Julho organiza, em Cernache de Bonjardim, perto da Sertã, o ponto alto da sua rota gastronómica: a “1ª Feira Ibérica do Caracol”, «com especialistas espanhóis a virem propositadamente de Barcelona para cozinhar caracóis à moda de Espanha e também umas tapas». Durante o certame, o especialista assegura que vão ser realizadas conferências dedicadas ao tema da helicicultura. «Vou contactar alguns helicicultores que queiram estar presentes e ali é uma oportunidade que vão ter de expor as suas experiências e os seus problemas», afirma. Para Belmiro Domingos, as dificuldades são exactamente as mesmas que para os produtores: problemas no escoamento. «Há pessoas que se meteram a criar caracol com muito empenho e muita paixão e agora sentem na pele o problema de depois não terem escoamento», sublinha. A iniciativa será promovida pela Confraria do Caracol, criada por Belmiro Domingos em 2009 e da qual também é grão-mestre. «As confrarias não são só para nos exibirmos com fardas nem só para reunir meia dúzia de pessoas vaidosas. Há tanta confraria e poderão dizer que esta é mais uma, mas eu acho que não», afirma. Nos dias 17 e 18 de Julho, assinala-se o primeiro aniversário da associação, cuja farda azul marinho é exibida com orgulho pelo grão-mestre em todos os eventos. Em relação à cozinha, o especialista faz uma recomendação especial: «Lavar muito bem o caracol nunca é demais. O caracol vem muito sujo, com muita terra e dá muito trabalho limpá-lo». Em relação a receitas, confessa que gosta de variar e inovar. «As minhas receitas são muito variadas e têm condimentos e gostos diferentes. Algumas são muito trabalhosas e elaboradas, como o Escargot à Francesa», acrescenta.

Belmiro Domingos envergando a farda da Confraria do Caracol
(FOTO: MJA Conteúdos)

O próximo objectivo será criar em Lisboa uma casa de referência onde se sirva caracol durante todo o ano, sobretudo a pensar no turismo. «Ao criar um espaço destes tem que haver marketing e divulgação e estas feiras itinerantes são muito importantes para a parte promocional», comenta Belmiro Domingos. «Quero que se possa comer Feijoada de Caracol ou Caril de Caracol, por exemplo, em qualquer época do ano», remata.

 

Mais e mais caracóis

Nesta época do ano, oportunidades de saborear caracóis é o que não falta. Além das festas itinerantes de Belmiro Domingos, ainda existem as feiras organizadas por algumas Câmaras Municipais. Desde 2002, por exemplo,  em Castro Marim é organizada a “Festa do Caracol”, um evento que adquiriu um cariz além-fronteiras e passou a ser designado, em 2009, por “Festival Internacional do Caracol”. «Alterámos o conceito, sobretudo porque passámos a receber chefes de cozinha de Marrocos, França e Espanha», esclarece Vítor Madeira, adjunto do presidente da Câmara, José Estevens. Este ano, o festival realizou-se de 21 a 23 de Maio, contando com dezenas de tasquinhas que ofereciam «os melhores caracóis do Algarve», bem como uma grande variedade de doçaria regional. Reforçando a sua vertente internacional, o certame foi ainda animado por música popular portuguesa, ritmos cubanos e marroquinos, bem como pela música de expressão espanhola. Brevemente, realiza-se outra famosa festa do caracol, desta vez em Loures, de 16 a 26 de Julho. De acordo com informações fornecidas pela autarquia, o evento realiza-se junto ao Pavilhão Paz e Amizade e vai contar com 12 tasquinhas totalmente dedicadas à confecção de pratos de caracóis. No ano passado, este certame recebeu cerca de 60 mil visitantes que, em 10 dias, consumiram 12 mil quilogramas de caracol.

O tradicional prato de caracóis é feito com uma espécie marroquina

Para quem prefere ir a restaurantes, o “Júlio dos Caracóis”, em Lisboa, apresenta-se sempre como a melhor opção. De Abril a Setembro, o espaço abre a já famosa “Época dos Caracóis” e os clientes começam a fazer fila. Mas a oferta não acaba aqui. Há ainda “O Túnel de Santos” e o “Tico-Tico” em Lisboa, “O Eduardo das Conquilhas” na Parede, “O Navio” em Santa Cruz (Torres Vedras) ou o “Três Bikas” em São Domingos de Rana. Mais para sul, no Algarve, sugere-se frequentemente “O Apeadeiro” em Loulé e o “Palhacinho” em Faro. A lista é longa e por esta altura do ano encontrar caracóis não é difícil. Já andam todos de “corninhos ao sol”.

 
« voltar

 

 
 
 
  Recuperar password
 
  Pesquisa
 
 
  Green Pages
 
 
  
 
  
 
 
 
 
 
 
 
[ Almaviva 1996 / € 492 5% ]             [ Ausone 1995 / € 1362 3% ]             [ Ausone 1998 / € 1757 20% ]             [ Beychevelle 1982 / € 808 1% ]             [ Cheval Blanc 1998 / € 2284 1% ]             [ ChevalBlanc 1990 / € 4404 7% ]             [ ChevalBlanc 1995 / € 1397 10% ]             [ Dominus 1994 / € 1412 8% ]             [ Figeac 1982 / € 1073 0% ]             [ Haut Brion 1996 / € 1145 8% ]             [ HautBrion 1989 / € 3318 6% ]             [ HautBrion 1998 / € 1549 6% ]             [ La Mission Haut Brion 1998 / € 911 2% ]             [ La Mondotte 1999 / € 2155 20% ]             [ Lafite Rothschild 1990 / € 1956 3% ]             [ LafiteRothschild 1989 / € 1610 2% ]             [ LafiteRothschild 1995 / € 1546 1% ]             [ LafiteRothschild 1996 / € 2255 6% ]             [ LafiteRothschild 1999 / € 1405 9% ]             [ Lafleur 1998 / € 1976 4% ]             [ Latour 1990 / € 3455 1% ]             [ Latour 1995 /€ 1607 3% ]             [ Latour 1996 / € 1855 10% ]             [ Le Pin 1986 /€ 5731 4% ]             [ Le Pin 1990 / € 7472 11% ]             [ Le Pin 1996 / € 4029 7% ]             [ Le Pin 1997 / € 2840 1% ]             [ l'Eglise Clinet 1998 / € 2296 9% ]             [ Leoville Barton 1990 / € 808 1% ]             [ LeovilleLasCases 1982 / € 2108 1% ]             [ LeovilleLasCases 1990 / € 1259 2% ]             [ LeovillePoyferre 1995 / € 322 5% ]             [ Lynch Bages 1989 / € 1253 1% ]             [ LynchBages 1990 / € 1136 9% ]             [ Margaux 1982 / € 3924 3% ]             [ Margaux 1986 / € 2547 7% ]             [ Margaux 1995 / € 2050 4% ]             [ Margaux 1996 / € 2436 8% ]             [ Monbousquet 1999 / € 454 3% ]             [ Montrose 1990 / € 1941 7% ]             [ Montrose 1996 / € 472 2% ]             [ Mouton Rothschild 1986 / € 2905 3% ]             [ Mouton Rothschild 1989 / € 1640 5% ]             [ Mouton Rothschild 1990 / € 1464 4% ]             [ Mouton Rothschild 1999 / € 1039 8% ]             [ Opus One 1995 / € 1651 14% ]             [ Ornellaia 1996 / € 468 3% ]             [ Palmer 1990 / € 827 2% ]             [ PavieMacquin 1998 / € 632 1% ]             [ PavieMacquin 1999 / € 458 3% ]             [ Penfolds Bin 707 1996 / € 433 1% ]             [ Penfolds Grange Hermitage 1995 / € 1485 1% ]             [ Petrus 1975 / € 7115 16% ]             [ Petrus 1990 / € 9370 9% ]             [ PichonLalande 1995 / € 799 9% ]             [ Quinault L'Enclos 1999 / € 382 13% ]             [ Sassicaia 1996 / € 972 14% ]             [ Sassicaia 1998 / € 1405 20% ]             [ Solaia 1997 / € 2284 8% ]             [ Trotanoy 1995 / € 796 10% ]             [ Valandraud 1999 / € 1932 4% ]             
Cursos Vinho.Tv | Tabela de Publicidade | Podcasts | Contactos | RSS | Termos e Condições | Politica de Privacidade | Equipa Técnica | Mapa do Site | 1º Encontro e Prova Internacional de vinhos | Classificados
Copyright © 2009 Maria João de Almeida. Todos os direitos reservados produced by IMG | powered by miscode