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Vinhas de Bordéus |
Mais de metade dos membros do Sindicato de Bordéus estão com problemas financeiros graves e 90% apresentam já várias dificuldades neste campo. Quem o diz é Bernard Fargues, presidente do organismo, numa altura em que foram conhecidos dados oficiais que revelam que os altos preços praticados em 2009 aumentaram o fosso entre os produtores de gama alta e aqueles que produzem a granel.
De acordo com números de vendas reunidos por corretores, a média de preço de 400 vinhos vendidos durante a chamada campanha “en primeur” (promoção de vinhos de topo) subiu 18,6% em 2005 e 47,6% até 2008. Ao mesmo tempo, o preço oficialmente pago pelos comerciantes por um tonel (o equivalente a 900 litros) de vinho tinto de Denominação de Origem Certificada caiu para 600 euros, muito menos do que se pagava habitualmente por uma garrafa de um vinho de gama alta dos melhores chateaux. No entanto, alguns produtores dizem inclusivamente que as taxas de transacção estão a cair para os 500 euros por tonel. «Os produtores que estão em sérias dificuldades não deverão conseguir resistir à pressão constante dos preços», sublinhou Bernard Fargues do Sindicato de Bordéus. Já Regis Chaigne, produtor de vinho a granel, lembra que os comerciantes da região passam metade do ano na campanha “en primeur”, enquanto os restantes vinhos são esquecidos. «E isto é verdade não só aqui como noutras grandes regiões vitivinícola do mundo», remata.
O Sindicato de Bordéus representa mais de metade da região, ou seja, oito mil produtores a produzir vinho de Denominação de Origem Controlada.